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Taxa da maquininha: quanto sua ótica perde e como repassar

A taxa da maquininha é o percentual descontado de cada venda no cartão; para repassá-la sem perder, divida o valor por (1 − taxa) em vez de somar a taxa.

8 min de leitura
Neste artigo
  1. O que a maquininha cobra?
  2. Como descobrir a sua taxa real
  3. Quanto a taxa pesa no mês da ótica?
  4. Como repassar a taxa ao cliente?
  5. Qual é a conta certa para repassar a taxa?
  6. Vale a pena antecipar os recebíveis?
  7. Como negociar a taxa da maquininha?
  8. O que acompanhar todo mês
  9. Onde o sistema ajuda
  10. Perguntas frequentes

A taxa da maquininha é o percentual que a operadora desconta de cada venda no cartão: numa venda de R$ 1.000,00 com taxa de 3,19%, entram R$ 968,10 na conta. Para repassar a taxa sem perder dinheiro, divida o valor por (1 − taxa), em vez de somar o percentual.

Em ótica, o cartão parcelado é quase regra. Um multifocal de R$ 1.500 raramente é pago à vista. E cada parcela que o cliente não paga com juros, a loja paga em taxa.

A taxa da maquininha é uma das maiores despesas de uma ótica, e uma das menos olhadas. Ela não aparece como boleto no fim do mês: simplesmente o dinheiro cai menor na conta.

Este artigo mostra como descobrir quanto você paga de verdade, quanto isso pesa por mês e como repassar sem errar a conta.

O que a maquininha cobra?

A maquininha cobra, em geral, três coisas:

  • A taxa por venda (o mercado chama de MDR). É um percentual de cada venda. Débito costuma ser a menor, crédito à vista um pouco mais, e o parcelado sobe conforme o número de parcelas.
  • A antecipação. Numa venda em 10 vezes, o dinheiro cai uma parcela por mês. Se você quer receber tudo antes, a operadora cobra mais um percentual por isso.
  • O aluguel ou a compra do aparelho, em alguns contratos.

Os percentuais variam muito entre operadoras e conforme o volume da loja. Por isso, não use números de artigo: pegue os seus no contrato e no extrato.

Como descobrir a sua taxa real

O contrato diz o que deveria ser cobrado. O extrato diz o que foi cobrado. Confira os dois.

Para cada venda no extrato da maquininha, há um valor bruto (o que o cliente pagou) e um valor líquido (o que caiu para você). A taxa real é:

Taxa real = (bruto − líquido) ÷ bruto

Uma venda de R$ 1.000 em 10 vezes que rendeu R$ 940,10 líquidos:

(1.000 − 940,10) ÷ 1.000 = 5,99%

Faça isso para algumas vendas de cada tipo (débito, crédito à vista, parcelado curto, parcelado longo) e compare com o contrato. Divergências acontecem, e só quem confere descobre.

Quanto a taxa pesa no mês da ótica?

A taxa de uma venda parece pequena. Somada no mês, não é.

Imagine uma ótica que fatura R$ 60.000 por mês, com este mix de pagamentos:

Forma de pagamento Parte das vendas Taxa (exemplo) Custo no mês
Pix e dinheiro 25% 0% R$ 0
Débito 15% 1,5% R$ 135
Crédito 60% 7,3% (média) R$ 2.628
Total 4,6% R$ 2.763

São quase R$ 2.800 por mês, ou mais de R$ 33 mil por ano. Em muitas óticas, é mais do que o aluguel.

A calculadora de taxa da maquininha faz essa conta com o seu faturamento e as suas taxas.

Como repassar a taxa ao cliente?

Não há uma resposta certa para todo mundo. Mas há quatro caminhos, e dá para combinar mais de um.

1. A taxa já está no preço

É o caminho mais comum: o preço de tabela já inclui a taxa média da loja. No exemplo, 4,6%. O artigo sobre como calcular o preço de venda de óculos mostra como colocar esse percentual na conta.

O risco é a média mudar. Se a loja passa a vender mais em 10 vezes do que vendia, a taxa média sobe e o preço fica defasado sem ninguém perceber.

2. Desconto para pagamento à vista

A Lei 13.455/2017 permite cobrar preços diferentes conforme o prazo ou a forma de pagamento. A condição é informar o desconto em local visível ao cliente.

Na prática: o preço de tabela inclui a taxa, e quem paga no Pix ou em dinheiro ganha um desconto. Se o desconto for perto da taxa média que você pagaria no cartão, a margem fica a mesma, e o cliente sente que ganhou algo.

3. Parcelas sem juros até um limite

Por exemplo: até 5 vezes sem juros, e de 6 a 10 vezes com acréscimo. A loja absorve a taxa do parcelado curto, que é menor, e repassa a do longo, que pesa mais.

4. Parcelado com juros pago pelo cliente

Muitas maquininhas permitem que o cliente pague os juros do parcelamento. Em geral, a loja recebe como numa venda de crédito à vista, e o cliente vê o valor da parcela com juros antes de confirmar. Confira se a sua operadora oferece e quais são as condições.

Qual é a conta certa para repassar a taxa?

Este é o erro mais comum, e ele custa pouco por venda e muito no ano.

O cliente quer pagar R$ 1.000 em 10 vezes, e a taxa do 10× é 5,99%. O vendedor soma 5,99% ao preço:

1.000 + 5,99% = R$ 1.059,90

A maquininha desconta 5,99% sobre os R$ 1.059,90:

1.059,90 × (1 − 0,0599) = R$ 996,41

Faltaram R$ 3,59. Pouco numa venda, mas é um erro que se repete em toda venda parcelada.

A conta certa é dividir, porque a taxa incide sobre o valor cobrado, não sobre o valor que você quer receber:

Valor a cobrar = valor que você quer receber ÷ (1 − taxa)
1.000 ÷ (1 − 0,0599) = R$ 1.063,72

Conferindo: 1.063,72 × 0,9401 = R$ 1.000,00. Agora fecha.

Vale para qualquer repasse: a taxa da maquininha, a comissão, o imposto. Percentual que incide sobre o preço de venda se calcula dividindo.

Vale a pena antecipar os recebíveis?

Antecipar recebíveis é cômodo, mas é dinheiro emprestado. Numa venda de R$ 1.000 em 3 vezes, com taxa de 4,59% e antecipação de 1,5% ao mês:

Taxa da venda:      1.000 × 4,59%                       = R$ 45,90
Cada parcela:       (1.000 − 45,90) ÷ 3                 ≈ R$ 318,03
Antecipação:        318,03 × 1,5% × (1 + 2 + 3 meses)   ≈ R$ 28,62
Recebe hoje:        1.000 − 45,90 − 28,62               = R$ 925,48

Sem antecipar, entram R$ 954,10, em três parcelas mensais. Antecipando, entram R$ 925,48 de uma vez: são R$ 28,62 a menos, o preço de ter o dinheiro antes, e o custo da venda sobe de 4,59% para 7,45%.

Antes de deixar a antecipação automática ligada, pergunte: o caixa precisa desse dinheiro agora? Se não precisa, a antecipação é só uma taxa a mais.

Confira também como a sua operadora calcula a antecipação. A conta acima é a de quem cobra por mês antecipado, a mesma da calculadora; há contratos com um percentual fixo, e outros que contam por dia. A diferença, num parcelado longo, é grande.

Como negociar a taxa da maquininha?

  • Compare pelo seu mix, não pela taxa do débito. Uma oferta com débito baixo e parcelado alto pode sair mais cara para uma ótica, que vende muito parcelado. Faça a conta da tabela acima com as taxas de cada proposta.
  • Use o seu volume. Com o faturamento dos últimos meses em mãos, peça uma revisão. Operadoras costumam ter faixas de taxa por volume.
  • Leve as divergências. Se o extrato mostrou cobranças acima do contrato, isso entra na conversa.
  • Revise uma vez por ano. O mercado muda, e a taxa que era boa há dois anos pode não ser mais.

O que acompanhar todo mês

  • Taxa média do mês: total pago em taxas ÷ total vendido.
  • Parte das vendas em parcelado longo: se sobe, a taxa média sobe junto.
  • Diferença entre o contratado e o cobrado: deveria ser zero.

Onde o sistema ajuda

No LinceIA, as taxas e os prazos da maquininha ficam em Formas de pagamento, por loja: uma tabela de taxa por número de parcelas no crédito, a taxa do débito e do Pix, e a antecipação, se você usa. Com isso, cada venda no cartão já nasce com a agenda dos repasses, o fluxo de caixa mostra quanto vai cair e quando, e o DRE mostra a linha Taxas de cartão no mês.

A conciliação compara o que deveria cair com o extrato do banco ou o relatório da maquininha, e mostra quando a operadora cobrou mais do que a taxa informada. O LinceIA não se integra à maquininha: a venda é cobrada no aparelho à parte, e as taxas são digitadas por você.

Perguntas frequentes

Como negociar uma taxa menor com a operadora?

Compare as propostas aplicando as taxas de cada uma ao seu mix de vendas, não só à do débito, e leve o faturamento dos últimos meses: operadoras costumam ter faixas de taxa por volume. Se o extrato mostrou cobranças acima do contrato, isso também entra na conversa.

Qual a diferença entre a taxa (MDR) e a antecipação?

A taxa, ou MDR, é o percentual que a operadora retém de cada venda no cartão, e é cobrada sempre. A antecipação é um custo a mais, cobrado só quando a loja pede para receber antes as parcelas de uma venda parcelada. Dá para usar o cartão sem antecipar.

Como conferir se a operadora cobrou a taxa combinada?

Pegue o extrato da maquininha e, para algumas vendas de cada tipo, calcule (bruto − líquido) ÷ bruto. Compare o resultado com a taxa do contrato para aquela forma de pagamento e número de parcelas. Se a diferença se repete, leve as vendas e os valores para a operadora.

O LinceIA se integra à maquininha?

Não. A venda no cartão é registrada no LinceIA e cobrada no aparelho à parte. As taxas e os prazos de repasse de cada forma de pagamento são digitados por você, e a conciliação compara o que deveria cair com o extrato do banco ou o relatório da maquininha.