Glossário da ótica

Os termos que aparecem no balcão, na ordem de serviço e no financeiro de uma ótica, cada um definido em até três frases: da receita (esférico, cilíndrico, eixo, adição, DNP) à lente, à armação, ao crediário, à margem e à nota fiscal.

É um glossário de venda e operação, para quem atende e administra a loja. A receita é do profissional que a assinou: o balcão lê, copia com exatidão e transforma em lente, sem mudar valores.

Nesta página
  1. Receita
  2. Lentes
  3. Armação e montagem
  4. Ordem de serviço e laboratório
  5. Crediário e pagamento
  6. Preço e resultado
  7. Nota fiscal

Receita

Esférico

O grau principal da lente, igual em todas as direções, em dioptrias e de 0,25 em 0,25. Lentes negativas (−) costumam corrigir a miopia, e positivas (+), a hipermetropia; "plano" ou 0,00 quer dizer sem grau esférico. Veja como ler uma receita de óculos.

Cilíndrico

A parte do grau que corrige o astigmatismo: age numa direção mais do que na outra. Tem sinal, vai de 0,25 em 0,25 e vem sempre acompanhado de um eixo.

Eixo

O ângulo, de 0 a 180 graus, que diz a direção em que o cilíndrico age. Não tem sinal e não é dioptria; eixo sem cilíndrico indica que falta algo na receita.

Adição

O grau positivo que se soma ao esférico de longe para formar o grau de perto: esférico de perto = esférico de longe + adição, com o cilíndrico e o eixo iguais aos de longe. Aparece em receitas para presbiopia, comum a partir dos 40 e poucos anos. Calcule na receita de perto e intermediária.

Esférico equivalente

O esférico mais metade do cilíndrico: −2,00 −1,00 × 180° dá −2,50. É outra lente, sem correção do astigmatismo, e trocar a receita por ele é decisão de quem prescreveu, nunca do balcão.

Transposição

Reescrever a receita de cilíndrico negativo para positivo, ou o contrário, sem mudar a lente: o novo esférico é o esférico mais o cilíndrico, o cilíndrico troca de sinal e o eixo gira 90 graus. −2,00 −1,00 × 180° vira −3,00 +1,00 × 90°. Faça a conta na calculadora de transposição ou leia o passo a passo.

Prisma

Um efeito da lente que desvia a imagem, medido em dioptrias prismáticas (Δ) e com uma direção de base. Pode vir prescrito na receita ou surgir sem querer quando o centro óptico fica fora da pupila: pela regra de Prentice, prisma = descentração em centímetros × grau da lente. Veja o efeito de uma DNP errada em DNP e altura de montagem.

DP (distância pupilar)

A distância, em milímetros, entre o centro de uma pupila e o da outra, também chamada DNP binocular. É um número só, como 63 mm, e é a soma das duas DNPs monoculares.

DNP (distância naso-pupilar)

A distância, em milímetros, do centro da pupila até o centro do nariz (ou da ponte da armação), medida em cada olho. Ela diz ao laboratório onde pôr o centro óptico de cada lente na horizontal; dividir a DP por dois só acerta em rosto simétrico. Veja o que é DNP e como medir e medir DNP e altura pela foto.

Distância vértice

A distância entre a face de trás da lente e a córnea, em torno de 12 mm nos óculos. Como o grau efetivo muda com essa distância, passar uma receita de óculos para lente de contato pede compensação: a partir de cerca de ±3,25 a 3,50, o grau arredondado já muda. Calcule na compensação da distância vértice.

Lentes

Índice de refração

O quanto o material da lente desvia a luz: para a mesma receita, índice maior dá lente mais fina e mais leve. Os índices comuns em óculos vão de 1,50 a 1,74. Compare na espessura da lente por índice e em lente de alto índice.

Número de Abbe

O número que mede quanto o material separa as cores da luz: quanto menor, mais franja colorida o usuário pode notar ao olhar pela borda da lente. A resina 1,50 fica em torno de 58 e o policarbonato, em torno de 30; materiais de índice maior tendem a ter Abbe menor.

Visão simples

Lente com um único grau em toda a superfície, para longe ou para perto. Nas faixas de grau mais usadas, existe também como lente pronta, de estoque, que só precisa ser cortada e montada.

Bifocal

Lente com duas zonas de grau: longe na parte de cima e, num segmento embaixo, o perto (longe + adição). A linha que separa as duas zonas é visível na lente.

Lente multifocal (progressiva)

Lente cujo grau aumenta aos poucos de cima (longe) para baixo (perto), passando pelo intermediário, sem linha visível. Depende de DNP e altura de montagem exatas, e cada desenho tem uma altura mínima informada pelo fabricante.

Antirreflexo

Camadas finas aplicadas na superfície da lente que diminuem a luz refletida: a lente fica mais transparente para quem olha e com menos reflexos para quem usa. Como materiais de índice alto refletem mais, o antirreflexo costuma acompanhá-los. Veja como cadastrar lentes, materiais e tratamentos.

Fotossensível

Lente que escurece com a luz ultravioleta do sol e volta a clarear em ambiente fechado. Atrás do para-brisa do carro, que barra boa parte do ultravioleta, muitas escurecem pouco, o que vale dizer ao cliente na venda.

Filtro de luz azul

Tratamento que reflete ou absorve parte da luz azul-violeta visível e costuma deixar um reflexo azulado na lente. Na venda, descreva o que ele faz e não prometa benefício à saúde dos olhos.

Curva base

A curvatura da face da frente da lente, em dioptrias, escolhida pelo fabricante conforme o grau. Armações muito curvas, como as esportivas, pedem lentes de curva base mais alta.

Armação e montagem

Aro

A parte da armação que segura a lente e, como medida, a largura horizontal da lente na armação, em milímetros: o primeiro número de "54-18-140".

Ponte

A parte da armação que fica sobre o nariz e, como medida, a distância entre as duas lentes, em milímetros: o segundo número de "54-18-140".

Haste

A parte da armação que vai do aro até atrás da orelha e, como medida, o seu comprimento em milímetros: o terceiro número de "54-18-140".

Altura de montagem

A distância vertical, em milímetros, do centro da pupila até a borda inferior da lente (ou o fundo do canal do aro), medida com a armação escolhida já ajustada no rosto. Na multifocal, ela posiciona o corredor da lente. Veja DNP e altura de montagem.

Diâmetro mínimo

A menor lente bruta que ainda cobre o aro depois de descentrada: diagonal maior + 2 × descentração + margem, sendo a descentração (aro + ponte) ÷ 2 − DNP. Com aro 52, ponte 18 e DNP 31, a descentração é 4 mm, e com diagonal de 55 mm e margem de 2 mm a lente precisa de 65 mm. Calcule na calculadora de diâmetro mínimo.

Montagem

Cortar a lente no formato do aro, com o centro óptico na DNP e na altura pedidas, e fixá-la na armação. Pode ser feita pelo laboratório ou pela própria ótica.

Ordem de serviço e laboratório

OS (ordem de serviço)

O documento da venda de óculos sob encomenda: cliente, receita, lente, armação, medidas, valores, sinal e prazo, do pedido até a entrega. Veja como criar uma ordem de serviço e ordem de serviço em ótica.

Laboratório

A empresa que produz a lente no grau da receita (a surfaçagem), aplica os tratamentos e, muitas vezes, faz a montagem, a partir dos dados da OS. Erros de receita ou de medida na OS voltam como refação. Veja como reduzir retrabalho de lentes.

Sinal

O pagamento antecipado feito na abertura da OS, descontado do total na entrega dos óculos. É comum pedi-lo antes de encomendar a lente ao laboratório.

Crediário e pagamento

Crediário

A venda parcelada financiada pela própria ótica, sem cartão nem financeira: o cliente paga parcelas mensais à loja, que assume o risco de atraso. Simule no simulador de crediário e veja crediário e contas a receber.

Entrada

Na venda parcelada, a parte paga no ato da compra, antes das parcelas. Não confundir com entrada de mercadoria, o registro dos produtos que chegam do fornecedor no estoque.

Carnê

As folhas impressas, uma por parcela do crediário, com o valor e o vencimento, que o cliente apresenta ao pagar cada parcela na loja.

Taxa da maquininha (MDR)

O percentual que a operadora (credenciadora) desconta de cada venda no cartão (MDR, de merchant discount rate), diferente para débito, crédito à vista e cada faixa de parcelas. Numa venda de R$ 1.000,00 com taxa de 4,59%, a ótica recebe R$ 954,10. Calcule na calculadora de taxa da maquininha.

Antecipação

Receber de uma vez as parcelas do cartão que cairiam nos meses seguintes, pagando à operadora uma taxa somada à MDR. Veja formas de pagamento e taxas.

Preço e resultado

Margem

A parte do preço que sobra depois do custo do produto, em percentual: (preço − custo) ÷ preço. Uma armação que custa R$ 100,00 e é vendida por R$ 250,00 tem margem de 60%.

Markup

O multiplicador aplicado ao custo para chegar ao preço: preço ÷ custo. Na mesma armação, 250 ÷ 100 dá markup de 2,5, que equivale à margem de 60%. Calcule na calculadora de preço de venda.

Ponto de equilíbrio

O faturamento mensal que paga exatamente as despesas fixas: despesas fixas ÷ margem de contribuição percentual, que é o que sobra de cada venda depois do produto, da taxa do cartão, da comissão e dos impostos. Com despesas fixas de R$ 20.000,00 e margem de contribuição de 50%, são R$ 40.000,00 por mês. Calcule na calculadora de ponto de equilíbrio.

DRE

Demonstração do Resultado do Exercício: o relatório que parte do faturamento do período e desconta impostos, o custo das mercadorias vendidas (CMV) e as despesas até chegar ao lucro ou prejuízo. Veja fluxo de caixa e DRE.

Giro de estoque

Quantas vezes o estoque se renova no período: CMV ÷ estoque médio, a preço de custo. Um CMV de R$ 60.000,00 no ano sobre estoque médio de R$ 40.000,00 dá giro de 1,5, cerca de 243 dias de cobertura. Veja controle de estoque para óticas.

Nota fiscal

NF-e

A nota fiscal eletrônica modelo 55. Na ótica, serve para a venda com entrega em outro estado, em geral para a venda a empresa contribuinte do ICMS e para operações com fornecedores, como a devolução de mercadoria. Veja nota fiscal para ótica e emitir nota fiscal no LinceIA.

NFC-e

A nota fiscal de consumidor eletrônica, modelo 65: a nota da venda ao consumidor final dentro do estado. É a nota da maior parte das vendas de balcão de uma ótica. Veja nota fiscal para ótica e emitir nota fiscal no LinceIA.